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Brasil responde por 90% dos casos de leishmaniose canina da América Latina

Considerada uma das seis endemias prioritárias no mundo, 90% dos casos da leishmaniose visceral canina da América Latina, segundo o Ministério da Saúde, são registrados no Brasil.

A transmissão da doença ocorre pela picada do mosquito-palha, afetando principalmente cães. Se não for tratada corretamente, a leishmaniose pode levar à morte. Até pouco tempo, todos os cachorros doentes eram submetidos ao procedimento de morte induzida. Em 2016, o medicamento Milteforan foi aprovado pelos ministérios da Agricultura e da Saúde para o tratamento da leishmaniose.

Além da utilização do remédio, é possível também agir contra a doença antes que ela se instale no cão. Vacina e coleiras inseticidas que impedem a picada do mosquito-palha são usadas como formas de prevenir o contágio.

Apesar da possibilidade de prevenção e tratamento, os casos de leishmaniose canina tem aumentado em diversas cidades do país. Em Valinhos, interior de São Paulo, o último levantamento, feito em julho, registrou um total de 46 cães infectados, sete deles morreram. No mesmo mês, registros das cidades de Indaiatuba e Campinas, ambas do estado de São Paulo, dão conta de que a doença atingiu 7 cães em Indaiatuba, com uma morte, e um cão no município campineiro.

Ainda no interior paulista, Votuporanga atingiu até o momento a marca de 232 diagnósticos positivos para a doença de 2.072 amostras de sangue coletadas em cães.

No Sul do país, Florianópolis (SC) registrou 62 casos até agosto. O teste gratuito para identificação da doença está disponível no Centro de Controle de Zoonoses de segunda a sexta-feira, das 13h às 14h.

O professor de veterinária da Uni-BH e vice-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Minas (CRMV-MG), Bruno Divino, afirmou, em entrevista ao portal O Tempo, que a estimativa é de que 30% da população canina de Belo Horizonte (MG) tenha leishmaniose. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, há uma tendência de crescimento da doença.

O cão, que é o hospedeiro do mosquito-palha, não passa a enfermidade para humanos. O único transmissor da leishmaniose é o inseto que, ao picar um cachorro e, em seguida, uma pessoa, a infecta.

O médico veterinário Leonardo Maciel é enfático em dizer que o cão é apenas mais uma vítima da doença, e não o culpado por ela se alastrar em meio aos humanos. “É muito provável que, daqui a alguns anos, o número de pessoas infectadas seja maior do que animais, considerando que os seres humanos vivem muito mais. Definitivamente, o problema da leishmaniose não é o cão, e sim o mosquito”, afirma.

O procedimento de morte induzida de cães em nada contribui para o controle epidemiológico, segundo a médica veterinária Amanda Brito Wardini, que também explica que “já está provado que esse não é um método adequado”. Ela é contra a morte de cachorros contaminados pela doença e defende o tratamento. “Sou a favor do tratamento, inclusive foi liberado recentemente pelo Ministério da Saúde o medicamento. É mais um motivo para tratar os animais”, diz.

“As pessoas têm que se conscientizar de que se pode tratar. Vejo muitas preocupadas e com pânico de deixar agentes da prefeitura entrar em casa e pegar o cachorro. Não existe isso, o tratamento está liberado. Se der positivo o exame, elas devem procurar um veterinário e se informar sobre o tratamento”, completa em entrevista ao portal EM.

É importante, também, que haja conscientização acerca da guarda responsável, para que o número de animais abandonados diminua, já que os cães que vivem nas ruas estão mais suscetíveis ao contágio pela leishmaniose por estarem totalmente desprotegidos.

Decisões judiciais

Casos de cachorros contaminados pela doença já foram parar na Justiça. Em Porto Alegre, uma decisão judicial, de junho deste ano, impediu que o procedimento de morte induzida fosse aplicado em 14 cães que estavam sob a responsabilidade do Poder Público Municipal. Em maio, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás determinou que um cão da raça buldogue inglês infectado pela leishmaniose não fosse condenado à morte, garantindo a ele o tratamento adequado.

Veterinários e integrantes de entidades de proteção animal se unem há anos na defesa pelo direito ao tratamento dos cachorros com leishmaniose visceral canina. Uma recente campanha intitulada #NãoMateTrate foi criada e lançada nas redes sociais pela ONG Arca Brasil, junto do Brasileish, associação que desenvolve pesquisas e emite orientações a respeito do manejo clínico da doença.

FONTE: https://www.anda.jor.br/2017/09/brasil-responde-por-90-dos-casos-de-leishmaniose-canina/

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